NÃO É MORAR, É VIVER

O projeto CasaVidaCenário tem uma equipe de profissionais diretos, indiretos e fornecedores locais, liderados pela Gigi Barreto, à frente como mente criativa. Na prática, através do olhar, escuta e troca com os moradores que a procuram, Gigi busca integrar sua experiência de 20 anos no mercado artístico-cenográfico aos projetos. De que forma? Antes de entender a relação casa-cenário, é importante deixar claro o que é a cenografia. A palavra vem do grego skenenographie, que na tradução literal seria “desenho da cena”. Através da criação e transformação do espaço cênico - seja para atender um produto artístico ou uma iniciativa comercial - como artista ela busca transmutar em “emoção visual” um conceito único, que somente ao cliente pertence, que vai do desenho do cenário à materialização.

 

 

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No CasaVidaCenário, a experiência na cenografia se traduz na forma como Gigi enxerga a casa: um espaço onde é possível contar histórias através da IDENTIDADE, ANCESTRALIDADE, ECONOMIA CIRCULAR, UPCYCLING e tantos outros elementos materiais e imateriais, que juntos compõem uma casa-cenário. A exclusividade é um dos pontos fortes do processo (co)criativo. Trazer arte nos pequenos e grandes detalhes e fazer tudo isso por meio de uma curadoria refinada e precisa faz parte do processo. Visitas técnicas são feitas e isso é importante para que exista uma integração entre espaços, biomas e hábitos. Reformas, transformações e interpretações também são realizadas para ressignificar o “morar”. Por fim, revela-se a beleza da sua história por meio das paredes do lar que abriga a sua existência.

MINHA CASA

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CASAVIDACENÁRIO   +   INCERTO

 

Gigi cocriou uma instalação artística para o quarto da Clara, sua filha de 13 anos. O espaço é repleto de reflexão, cumplicidade feminina e muita leveza. Trouxe o artista e amigo Incerto para retratar, a partir de seu olhar, a sua relação maternal com as duas filhas – a pintura traz três leoas. “Esse trabalho expressa, com muita espontaneidade e pulsação, como nós mulheres podemos ser fortes, que não precisamos estar em um lugar de submissão. A liberdade do traço dele tem tudo a ver com o universo dessa geração Z e ele conseguiu trazer todos esses conceitos de uma forma muito amorosa, alegre e leve”.  

O Incerto explica que a relação entre elas é o que mais chamou sua atenção e identificou que esse seria o tema central de seu trabalho. O tom lúdico permeia todo o quarto, que recebe muita luz natural e está cheio de memórias afetivas e de viagens, plantas, móveis garimpados e obras de outros artistas como Rita Wainer, Pedro Luiz e Getulio Amado. Por ser apaixonada por animais e viver rodeada pelos bichos, o arranhador de gatos também ganhou uma releitura criativa e virou uma verdadeira obra de arte em forma de coqueiro, feito pelo aderecista Guilherme Xavier. 

CASAVIDACENÁRIO   +   DERLON

 

MÁTRIA é uma instalação artística feita a quatro mãos. A pintura, que ocupa toda a extensão do teto do hall de entrada, coloca o Universo como criador do mundo representados pelo sol e as fases da lua, com a mulher indígena e negra como as figuras centrais da nossa sociedade, a serpente como a simbologia da liberdade sexual da mulher, o peixe como a abundância em compartilhar, a chuva, as folhas e o mar como mestres para nos relacionarmos como seres pertencentes à natureza e a árvore como fonte inesgotável da vida.

 

Na antiguidade, o conceito fazia referência à terra do nascimento e do sentimento. Aqui na CasaVidaCenário, o conceito central da instalação artística vem da RESSIGNIFICAÇÃO. Gigi e Derlon desconstroem a ideia da Capela Sistina, em vez de mostrar um homem branco criando outro homem branco, colocamos o Universo como criador do mundo.

 

“Comecei a construir a minha casa como um templo, elegendo o que é prioritário para mim. Saí da minha última morada por intolerância ao meu modo de estar no mundo. O fato de ser mulher com duas filhas, ocupar um endereço tradicional e frequentado por travestis, gays e negros foi descrito no livro do condomínio como ‘comportamento animalesco’”, acrescenta Gigi.

 

Derlon é um artista visual de Recife. Suas obras reverberam a história e cultura brasileiras, com originalidade e presença. Com Gigi Barreto entrelaça ideias, conceitos e olhares para conectar a arte com a casa interior, que é um estado de pertencimento e acolhimento. É olhar para si! Da última imersão criativa entre eles nasceu ‘Mátria’, que convoca para a reflexão e para a luta por um mundo em que representatividade e diversidade não sejam exceções.